sábado, 8 de janeiro de 2011

O equilibrista Pereira

Não sou muito fã do Rui Santos, mas este artigo sobre Vítor Pereira está muito bom!

«Só com grande vocação para o equilibrismo, um nomeador de árbitros pode resistir ao sistema. Vítor Pereira tem essa vocação. Nega o que afirma e afirma o que nega, com óbvia convicção de que sabe o que faz, isto é, teatralizar o papel.
Decidiu responder ao treinador do Benfica, que havia feito a leitura de que a sua equipa está ainda longe da liderança por causa de “erros de arbitragem”. Fê-lo na rádio, o Benfica respondeu em comunicado e, na televisão, Vítor Pereira decidiu desconversar. Ou assobiar para o ar. Ou dissimular uma espécie de nova retratação. Através das últimas explicações percebemos porquê.
Quando tomou posse do cargo na “equipa de Hermínio Loureiro”, a palavra de ordem era diálogo. Uma nova postura dos árbitros perante a opinião pública. Promessas, até, de declarações generosas após os jogos. Tudo em nome da transparência do “negócio”. Afinal, foi-se vendo que não era bem assim e agora conclui não vislumbrar nenhuma vantagem nessa atitude. Substituiu os árbitros no palanque. Apertadíssimo pelo Benfica, claramente prejudicado em Guimarães, optou pela fórmula de efetuar “balanços” de 5 em 5 jornadas. Não. Agora já não é bem assim. É quando houver imagens que justifiquem a subida ao palanque. Desconfiamos que é quando os clubes (fortes) alegadamente prejudicados quiserem ou determinarem. Com nomeações bem ponderadas, conseguiu baixar a poeira oriunda da Luz. Jorge Jesus puxou da memória e, no meio das balas perdidas resultantes do tiroteio dialético entre Benfica e FC Porto, apontou outra vez para a marca das feridas. Vítor Pereira achava que responder a Jorge Jesus não era responder ao Benfica, mas esqueceu-se que, nesse plano, os encarnados acertaram agulhas. E perante a reação do Benfica, o nomeador dos árbitros fez mais um número no trapézio. Corrigiu o tiro e, mais do que isso, para não sobrarem dúvidas sobre as suas elevadas intenções, nomeou Duarte Gomes para Leiria. Até domingo, perfeito. No equilibrismo. É o que tem feito, também, com o FC Porto, porque não quer sarilhos com Pinto da Costa. Entende-se. O sistema não lhe dá alternativa. O desconchavo é que Vítor Pereira quer afirmar publicamente a sua independência, algo que não existe no futebol, mas é ele quem denuncia o seu próprio embuste, inspirado por aquelas que são as diretrizes da FIFA e UEFA. Estes organismos não querem, por enquanto, que as imagens televisivas sirvam para corrigir, no momento, os erros dos árbitros. Os erros com influência direta nos resultados. Mas Vítor Pereira calou os árbitros para ajuizar as atuações dos seus nomeados através das imagens televisivas. Paradoxal? Não é grave. O silêncio troca-se por algumas melhorias “estruturantes” e com um aumento de nomeações a nível internacional. Os (extensos) comboios de árbitros que vão agora dirigir os jogos da Liga dos Campeões e da Liga Europa são ótimos para as estatísticas. Vítor Pereira chama a isso competência. Chamo a isso a influência concedida a quem alimenta o sistema. A cenoura da profissionalização é um osso duro de roer. Mas enquanto se rói, Platini é rei, através da manilha dos valetes.
Estaria tudo certo se Vítor Pereira tivesse a decência de não confundir os erros dos árbitros com os erros dos jogadores e treinadores (que triste comparação!) e se se desse ao escrutínio, que leva à verdade. Quem a quer?»
(Rui Santos, Record)

2 comentários:

MG disse...

sem dúvida...está bom.
este rui, de vez em quando tem umas boas.
estive a rever o tempo extra em que ele diz, que o Porto, à luz dos regulamentos, deveria ter descido de divisão!!!por causa da coação que Herminio Loureiro sofreu! (até inseri numa página)

eu ouço isto e pergunto: Os advogados do SLB andam a dormir?
é que nínguém dá por eles!!!!
e não é só por causa disto.

Bimbosfera disse...

Parece que sim, que andam a dormir, mas pronto, e provas? Só porque HL disse que sim?

Abraço

Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

Bimbosfera.blogspot.com

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